@MASTERSTHESIS{ 2025:1222026223, title = {Entre a fartura e a fome : as contradições vividas pela Comunidade Quilombola Kalunga Congonhas, Goiás}, year = {2025}, url = "http://www.bdtd.ueg.br/handle/tede/1917", abstract = "A configuração do atual sistema alimentar contribuiu para a incidência da sindemia global. Este fenômeno refere-se à interação sinérgica entre as pandemias de obesidade, desnutrição e mudanças climáticas, coexistentes através de fatores sociais, políticos e ambientais em comum. Nesse cenário, o objetivo desta pesquisa foi descrever o atual sistema alimentar, sua relação com a sindemia global e como este fenômeno atinge, por meio do segmento radicalizado, o acesso ao Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas (DHANA) da Comunidade Quilombola Kalunga Congonhas. Para tanto, as metodologias utilizadas foram: a etnopesquisa, um método qualitativo que busca compreender o mundo social a partir da perspectiva dos próprios participantes, e a pesquisa-ação, a fim de promover a construção de um conhecimento decolonial. Assim, foi possível observar mudanças nos hábitos alimentares tradicionais dos atores sociais de Congonhas, o que foi associado pelos mesmos com fatores relacionados às consequências da sindemia global. A pesquisa revelou contradições no modo de vida da comunidade quilombola Kalunga de Congonhas. Apesar da fartura ambiental e do vasto conhecimento tradicional sobre o uso dos bens naturais, especialmente os alimentos cultivados, extrativistas e os saberes fitoterápicos, a comunidade ainda enfrenta episódios recorrentes de insegurança alimentar e nutricional. Foi observado que há abundância relativa de alimentos em determinados períodos do ano, sobretudo durante as colheitas e o período chuvoso, mas essa fartura não é constante nem plenamente aproveitada, devido a fatores como: dificuldade de acesso a políticas públicas efetivas, distanciamento geográfico de Cavalcante, falta de infraestrutura de armazenamento e escoamento da produção, desvalorização do saber tradicional diante das lógicas de produção convencionais e dependência crescente de alimentos industrializados, inclusive em detrimento de alimentos locais mais saudáveis e sustentáveis. As entrevistas e observações de campo indicaram que a comunidade vivencia um processo de transição socioeconômica e cultural, no qual os modos tradicionais de subsistência resistem, mas estão sob forte pressão das dinâmicas capitalistas externas. Isso gera uma ambiguidade entre a riqueza ambiental e cultural e a pobreza material sentida no cotidiano de muitas famílias. A superação dessas contradições exige o reconhecimento da territorialidade Kalunga como espaço legítimo de produção de saberes e alimentos, a promoção de políticas públicas que respeitem suas especificidades e a criação de alternativas que fortaleçam a soberania alimentar da comunidade. Portanto, a pesquisa reforça que fartura e fome podem coexistir quando a desigualdade social, a negligência institucional e a desvalorização de modos de vida tradicionais impedem que o potencial do território se converta em bem-estar coletivo. Assim, compreender e enfrentar essas contradições é urgente para garantir os direitos dos povos quilombolas e a efetiva conservação sociocultural do Cerrado.", publisher = {Universidade Estadual de Goiás}, scholl = {Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (PPG-TECCER)}, note = {UEG ::Coordenação de Mestrado Territórios Expressões Culturais do Cerrado} }