@MASTERSTHESIS{ 2025:1327016402, title = {Pensamento Socrático-Platônico: Liberdade, Tirania e Formação}, year = {2025}, url = "http://www.bdtd.ueg.br/handle/tede/1903", abstract = "Inserida na linha de pesquisa Educação, Escola e Tecnologias do Programa de Pós- Graduação Interdisciplinar em Educação, Linguagem e Tecnologias da Universidade Estadual de Goiás (PPGIELT – UEG), esta dissertação ousa refletir, a partir do cosmo filosófico socrático-platônico, a tríade Liberdade, Tirania e Formação, compreendendo a Paideia como processo integral de formação da alma (psykhé – ψυχή). Defende-se a hipótese de que a liberdade (eleuthería – ἐλευθερία) é realização interior (endoliberdade), o autogoverno racional das potências anímicas orientado ao Bem (agathón – ἀγαθόν). Em contrapartida, considera-se a tirania como sua negação estrutural, em que a degradação da ordem anímica, ou seja, quando as partes dialéticas da alma subjugam a razão e instauram, no “eu” particular e na pólis, o regime da desmedida e da corrupção daquilo que nos humaniza. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, teórico-bibliográfica e hermenêutica, fundada na leitura erudita e dialógica do corpus socrático-platônico, no qual A República ocupa o núcleo literário e conceitual central. Em torno dela dispõem-se, como obras complementares: Fédon, Fedro, Crátilo, Górgias, Mênon, Protágoras, Timeu, Apologia de Sócrates, Banquete, Teeteto, Parmênides, O Sofista, Hípias Maior e as Cartas VII. De modo episódico, figuram como atravessamentos teóricos Ditos e feitos memoráveis de Sócrates (Memorabilia), de Xenofonte, e A Política, de Aristóteles, que dialogam criticamente com o ideal formativo da Paideia. O estudo também articula-se a comentadores clássicos e modernos, como Werner Jaeger (2013), Giovanni Reale (2022), Jean-Pierre Vernant (2002) e Bertrand Russell (2009), e à filosofia da educação em Coêlho e Guimarães (2012), cuja leitura hodierna propõe ressonância pedagógica à formação em excelência. Não apenas, o eixo alegórico da reflexão é enriquecido por uma constelação simbólica formada por Hesíodo, Homero, Ovídio, Shakespeare, Dostoiévski e Rotterdam, que, em diferentes épocas, dramatizam a tensão entre liberdade, tirania e virtude como dramas universais. O Capítulo 1 examina o ideal da areté (ἀρετή) como núcleo formativo do pensamento de Platão, compreendendo a virtude como excelência ética, moral, política e intelectual que unifica razão, coragem, temperança, prudência e justiça. O Capítulo 2 discute a tirania como degeneração da alma e da pólis, evidenciando o desequilíbrio ético-moral-político que emerge quando a razão é subjugada pelas paixões. O Capítulo 3 desenvolve a concepção endoliberdade, como movimento interior de autodomínio racional que harmoniza as potências da alma e conduz ao Bem. Os princípios conceituais indicam: (i) a centralidade da formação como processo humanizador, na medida em que o movimento (kínēsis – κινήσεω) ascensional do intelecto é o caminho pelo qual a alma se ordena à justa medida (métron – μέτρον) e à justiça (díkē – δίκη); (ii) a tirania como corrupção assimétrica, na alma e na pólis, quando a razão é subjugada por paixões desmedidas; (iii) a liberdade como efeito do domínio da razão (logos – λόγος) sobre os impulsos colérico e apetitivo, participando, quanto for possível, da Ideia universal e, por consequência, da excelência. Conclui-se que a Paideia socrático-platônica nos dá um paradigma formativo para repensar a formação não como acúmulo de conhecimento, mas como educação humanizadora, na qual conhecer, querer e agir se compõem sob o crivo do logos.", publisher = {Universidade Estadual de Goiás}, scholl = {Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Educação, Linguagem e Tecnologias (PPG-IELT)}, note = {UEG ::Coordenação de Mestrado Interdisciplinar em Educação, Linguagem e Tecnologias} }